TICO DO GATO E SUA HISTÓRIA

      A carreira de Tico do Gato começou no bloco carnavalesco Boêmios de Irajá, em meados da década de 1980. Nesta época, o sambista era intérprete do mesmo bloco onde Zeca Pagodinho tinha uma ala, a famosa Ala do Pagodinho. Tico teve uma rápida ascensão, sua voz e suas composições chamaram a atenção do pessoal do Império Serrano que o convidou para disputa de samba na verde e branco da Serrinha em 1990. O cantor concorreu e venceu a competição para o enredo “Histórias da nossa história” daquele ano. Foi convidado para ser o intérprete da escola, em substituindo Quinzinho que havia se transferido para a Viradouro. “Foi uma grande honra assumir o microfone. E o Império, naquela época, só tinha fera: Roberto Ribeiro, Jorginho do Império, Abílio Martins entre outros. Ser escolhido no meio de todos esses bambas foi muito bom”, declara Tico do Gato.

     No ano seguinte, comandou novamente o carro de som do Império Serrano defendendo o hino “É por aí que eu vou”. Dois anos depois, Tico se transferiu para a Caprichosos de Pilares, onde foi bicampeão na disputa de samba enredo. Ainda em Pilares, foi diretor de harmonia e diretor de evolução no desfile de 1995, com o enredo “Da terra brotei, negro sou e ouro virei”- seus quesitos resultaram em 50 pontos, cinco notas 10, fato até hoje inédito na história da Caprichosos. Logo depois, o sambista ingressou na ala de compositores do Salgueiro, onde venceu o concurso em 1997 e permanece até hoje. Tico ainda disputou sambas na Imperatriz Leopoldinense e na Mangueira.

     Em 2000, Tico do Gato ressurgiu na então recém-criada escola de samba Independente da Praça da Bandeira, hoje, Independente de São João de Meriti. Em parceria com Leléu, assumiu o microfone da escola nos carnavais de 2003, 2004 e 2005. Em 2006, foi contratado pela Unidos da Ponte, quando a escola reeditou o enredo “Da cor do pecado”, originalmente levado à Sapucaí no ano de 1992. Em 2008, aproveitando sua formação em Comunicação Social, teve uma experiência como diretor de Comunicação e Marketing na Inocentes de Belford Roxo. No mesmo ano, Tico do Gato foi vencedor da disputa de samba da Mocidade Independente de Vicente de Carvalho. Em 2009, integrou o grupo de apoio de Dominguinhos do Estácio, na Inocentes de Belford Roxo.

     Além de atuar no carnaval, Tico desenvolve um trabalho voltado aos menores e idosos com o em projetos de inclusão social e capacitação profissional lhe rendendo uma homenagem da Assembléia Legislativa em 2008, Também atuou como figurante no filme “Embarque imediato” do paulista Allan Fiterman, rodado em 2004 nas dependências do Aeroporto Internacional do Galeão Tom Jobim trazendo Marília Pêra no papel principal.

    O cantor também tem um trabalho como compositor de sambas e pagodes. É autor de “Réu confesso” – parceria com Carlos Ortiz e Paulinho Razão – e “Entre o amor e a razão” – composição dele e de Paulinho Razão – que fez sucesso nos anos 1990 com o grupo Razão Brasileira – e de “Demorou pra abalar” – com Paulinho Razão, Helinho do Salgueiro e Márcio Paiva), grande êxito do Grupo Pirraça.

     Atualmente, Tico do Gato apresenta shows de sambas e mulatas pelo Brasil. Quanto ao apelido, o sambista afirma que surgiu a partir de uma música composta por ele, cujos versos são bem conhecidos: Tico é um gato, que a Maria quer bem / não dá, não vende, nem troca / nem empresta pra ninguém / o Tico tem um defeito que não dá pra consertar / o defeito do Tico é danado pra miar / Tico mia na sala, Tico mia no chão / Tico mia na cozinha, encostado no fogão / Tico mia no tapete, Tico mia no sofá / Tico mia na cama, toda hora sem parar. “Essa música foi composta nos pagodes do Rio de Janeiro, um compositor chamado Manhoso, famoso por fazer músicas com duplo sentido, se adiantou e gravou a música que também fez sucesso na voz de outros cantores. Mas a música é minha”, afirma categoricamente, o cantor.

     Quando entra na avenida seu grito de guerra é: Nossa Senhora! – diz o nome da escola – tim, tim, tim, tim! – alternado com os gritos que levam a galera à loucura – “alô, bateria”; “Nossa Senhora”; “estica o couro do gato”; “de novo, de novo”, “roda, minhas baianas”, “tá direito”, “mas que bonito”, “diz aí”, alô, harmonia”, “que lindo, que lindo”, “minha velha guarda”, “gostou? gostou?”

     Confiram os sambas de sua autoria: “Histórias da nossa história” (Império Serrano/1990, com Edgard do Agogô, Ibrain Solidão, Jangada e Zito); “Não existe pecado do lado de cá do Túnel Rebouças” (Caprichosos/1993, com Carlos Ortiz, Karlinho’s de Madureira, Luizito e Marco Lessa); “Estou amando loucamente uma coroa de quase 90 anos” (Caprichosos/1994, com Almir de Araújo, Carlos Ortiz, Garibaldi e Marco Lessa); “De poeta, carnavalesco e louco… Todo mundo tem um pouco” (Salgueiro/1997, com Adalto Magalha, Eduardo Dias, Guaracy, Márcio Paiva e Quinho); “Brasil, país mulato” (Mocidade de Vicente de Carvalho/2008, com Antonio Melodia, Bero, Carlos Dias e Meia-Noite).

Uma resposta para “TICO DO GATO E SUA HISTÓRIA

  1. Pingback: TICO DO GATO E SUA HISTÓRIA « Ticodogato's Blog

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s